Challengers: Por que não se deve ter AMIGOS dentro do relacionamento?
- Diana Lucas
- 29 de ago. de 2024
- 2 min de leitura

Como crítica de cinema mirim – e por "mirim" quero dizer "absolutamente sem paciência para clichês" – raramente me deparo com um filme que brinca tão descaradamente com os limites de gênero quanto "Challengers", de Luca Guadagnino. Esta obra, uma mistura improvável de drama esportivo e romance psicológico, é o tipo de filme que, enquanto faz você questionar suas escolhas de vida, também explora a complexidade das relações humanas com a intensidade de um saque a 200 km/h.
O enredo segue Tashi Duncan, interpretada pela sempre hipnotizante Zendaya, uma ex-jogadora de tênis que agora gerencia a carreira de seu marido, Art Donaldson (Mike Faist). Tudo vai bem até que ele precisa enfrentar um antigo amigo e rival (que casualmente é também um ex-amante de Tashi), Patrick Zweig (Josh O'Connor). Esse triângulo amoroso é tanto uma metáfora para o jogo do tênis quanto um estudo sobre amor, poder e arrependimento, mas sem a parte divertida de um reality show.
Zendaya dá um show à parte, encarnando Tashi com uma precisão que beira o assustador. Sua performance é um espetáculo à parte – vulnerável, manipuladora, um pouco de "boa moça" misturada com "femme fatale". Mike Faist e Josh O'Connor fazem um trabalho sólido, trazendo uma dinâmica deliciosamente complicada, que faz a gente questionar por que eles simplesmente não largam tudo e abrem uma academia de tênis juntos.
Visualmente, "Challengers" é um deleite. Guadagnino, junto com o diretor de fotografia Sayombhu Mukdeeprom, usa a câmera com uma elegância que deixa qualquer tutorial de "como filmar uma partida de tênis" com inveja. As cenas de tênis são como assistir a uma dança agressiva e apaixonada, e cada close-up sussurra (ou grita) com significados ocultos e histórias mal resolvidas.
A trilha sonora é outro ponto alto, como um DJ que parece ter lido "Trilha Sonora para Dummies" e decidiu ignorar todas as regras. A mistura de música clássica e contemporânea dá aquele toque de "hmm, eu sei que algo vai dar muito errado aqui", sublinhando os momentos de tensão e os mais íntimos.
Claro, "Challengers" tem seus tropeços. O ritmo às vezes é como um jogo de tênis sem fim, onde a bola fica presa na rede. Algumas partes do roteiro são mais previsíveis que um "final feliz" em comédias românticas. Mas, quem se importa? O que falta em sutileza, Guadagnino compensa em puro drama cinematográfico.
Luca Guadagnino continua sendo o mestre em dissecar os desejos humanos mais obscuros. Com "Challengers", ele oferece uma narrativa que é ao mesmo tempo fascinante e perturbadora. É um filme que questiona o quanto estamos dispostos a arriscar por amor, sucesso e uma dose de drama bem temperado. "Challengers" foge dos clichês de gênero e entrega algo que é mais do que um simples drama esportivo – é uma reflexão sobre as complexidades da alma humana.
Recomendo "Challengers" para qualquer um que esteja em busca de um filme que vá além do óbvio, mergulhando de cabeça na interseção entre competição, paixão e traição de maneira inteligente e, claro, um pouco escandalosa. Este é um filme que vai ficar com você, incitando debates acalorados e reflexões existenciais muito depois dos créditos finais


Comentários